
Há muito tempo, o crepúsculo já anunciava uma noite das mais terríveis e obscuras. Era sabido que seria dificil, mas tornou-se praticamente insuportável. O sol não se pôs vermelho naquele anoitecer. Pôs-se escuro, apagando-se sob um emaranhado negro de árvores mortas e retorcidas.
Tudo era inóspito. Ele já não sabia mais se andava pelo caminho certo. Sua esperança... aquela tão intensa de outrora já começava a minguar. Não havia promessa de lua, nem estrelas. Não havia som. Não havia vida.
A lembrança daquela noite ficou em algum lugar no passado. Nunca mais, depois daquele entardecer lúgubre, viu o sol, ou qualquer outra luz em seu caminho. Não sabia mais se estava cego. Não sabia mais se ainda estava vivo. Aquela noite o engoliu e tem durado dias... talvez um ano ou dois. Não sabe. O tempo também o abandonara. Não sentia fome, nem sede. O sono era irregular e não sonhava mais. Tudo o que lhe restava era algum suor que lhe escorria no rosto e os pés doloridos. Os incensos acabaram, seus cordões desfiaram. Suas gemas se perderam e seu colar de contas arrebentara. Não estava mais protegido.
Em um momento em que até seus demônios o abandonaram e que a fraqueza dominou seu espírito por completo, ele começou a se desesperar. Corria, procurando sair dalí. O ar que respirava era pesado, carregado de umidade. Ofegava e corria... o som duro de seus passos no solo infértil e ressecado o deixava alucinado. Tentou dizer algo, mas não conseguiu... o tempo em que ficou sem falar obstruiu de inicio sua garganta. Mas não podia mais aguentar. Completamente atordoado e suando frio, arrancou um grito agonizante, do fundo de seu peito. O grito irrompeu no escuro e reverberava. A escuridão era cheia de eco. E a noite lhe devolvia o berro, como protestando pelo seu desespero. Ele não suportava. Rebatia o eco com mais gritos desesperados. Corria e gritava. Suava frio e tremia de pânico.
Com as mãos à frente do corpo, procurando um apoio ou uma referência, encontrou uma parede úmida, lisa e com concreções. Abriu os braços para estudar o perímero e percebeu que estava em um túnel rochoso. Gritou mais uma vez. O ar pesado recusava-se a entrar em seus pulmões e a sensações claustrofóbica esmagadora o subjulgava. Ao que tudo indicava, estava perdido dentro de uma galeria de túneis subterrâneos. Provavelmente estava preso alí por todo o tempo em que esteve caminhando no escuro.
Gritava desesperadamente por ajuda, inutilmente. Passou a se esgueirar pelo túnel que afunilava e ficava cada vez menor. Deu meia volta e tentou procurar por mais espaço. Correndo em pânico, acabou tropeçando e caindo violentamente. Sentia a parte superior do olho direito latenjando. Um fluído morno lhe escorria no rosto, se diluindo no suor frio. Estava sangrando. O corpo doía muito; estava muito machucado. Os gritos que o escuro lhe devolviam demoraram um pouco até ceder completamente. E ali, no silencio, no escuro e ferido, tentou se recompor. Resolveu que continuaria em silêncio. Tentaria manter a calma. Não tinha a menor idéia de como sair dalí... mas sabia que deveria domar a si mesmo... ser moldado pelo escuro e pelo ar pesado... se adaptar às exigências que a situação lhe impunha. Tinha que sobreviver... tinha que continuar seu caminho.
(continuando)...
ResponderExcluirFoi então que ele compreendeu, que a escuridão não era uma ameaça e o ar tornou-se leve e perfumado pois na escuridão de sua própria caverna ele encontrou abrigo e repouso, era SUA caverna...ela lhe pertencia...seu território.
E ele sabia todos os caminhos dela, pois ele mesmo tinha escavado todos eles, com seus próprios passos, só não havia reconhecido ainda...os caminhos do seu próprio coração.
Voltando pelo caminho encontrou o seu bosque e seu céu, que estavam no tempo fora do tempo, sem lua e sem sol, nem dia nem noite.
E sentiu a rajada de vento que era seu próprio espírito a lhe dar boas vindas...ele retornava enfim para si mesmo e o mundo o recebia com o nascer do sol e o dançar das estrelas e da lua
*ai toca uma musiquinha bem legal de trilha sonora*
HAHAHAHAHA a história é mais mórbida que isso... HAHAHAHAHA
ResponderExcluirFan-fiction é complicado... rsrsrsrsrs