sábado, 6 de março de 2010

Acordou com muito frio. Tremendo no chão, tudo continuava muito escuro. Estava se sentindo péssimo. Seu corpo todo doía e os ferimentos antigos pareciam avivados, por todo o frio que passava. Tossiu e sentiu a boca amarga. Não enxergava nada. Levantou com dificuldade, tremendo e retorcendo o rosto pela dor em todo o corpo. Se sentia tão desestimulado, que poderia continuar ali mesmo. Não tinha vontade de continuar ou achar uma saída. O vento, os tremores... parecia que não tinham passado de um sonho... O primeiro, depois que a noite caiu.

Lembrou que havia sido atacado... atacado? Não havia nada ali. Provavelmente, mais algum espírito ou o próprio escuro lhe havia derrubado. Não seria a primeira vez. Sentado, esfregando os braços frios com as mãos raladas, não tinha vontade de se mover. Encarava o nada que lhe cercava, ainda que não soubesse mais se estava de olhos abertos ou fechados. Não fazia diferença. Estava tão cansado...

Com uma das mãos, tentou sentir o chão e a parede da caverna... haviam concreções... provavelmente cristais. Tinham formas delicadas, podia sentir a suavidade dos vértices em seus dedos. Devia ser tão bonito ali, se houvesse alguma luz... Mas não podia ver. Não conseguia enxergar a beleza, nem quando ela estava bem a frente. Não consguia pensar em nada que lhe alegrasse. Percebeu que aos poucos, quase todos os sentimentos lhe foram tomados pelo escuro e pela solidão. Aos poucos, deixava de ser... e a vida lhe era aspirada pelas rochas. Pensou que se continuasse ali por muito mais tempo, passaria a fazer parte daquela escuridão... e desapareceria. Deitou-se no chão... e esperou.

Um comentário:

  1. talvez os cristais nas paredes da caverna fossem espíritos daqueles que desistiram e quiseram se juntar a escuridão...permanecendo o potencial latente...de algo que poderia ter sido e nunca foi...

    um cristal escondido na escuridão...

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