domingo, 24 de abril de 2011

O sopro repentino do vento gelado me dá arrepios.
A lufada carregada de garoa umedece delicadamente meu rosto e braços expostos.

Ainda há tanto pra percorrer... o caminho parece interminável.
E esse mar se opõe contra meus desejos.
Não é bravo, esse mar. É calmo e sempre nublado. É frio, escuro e de certa forma, aconchegante.
Mas é necessário ter uma perseverança enorme para poder cruzá-lo. É necessário ter uma presença de espírito mais extensa que esse mar, para cruzá-lo sem se perder.

É preciso ter braços fortes para remar, e uma vela resistente para navegar.
É preciso ter força. De corpo, espírito e coração.
É preciso ter determinação.

Pelo menos, consigo enxergar o necessário.
Agora falta-me disciplina para acatar às exigências desse mar-prova que preciso atravessar.
Abençoe-me mar, com seus poderes e sua presença.
Abençoe-me Senhor das Núvens Cinzas, e conduza-me pela direção correta.
Abençoe-me Vento, com esperteza e sabedoria, para ouvir nos momentos certos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

E eu fito o escuro profundo, velado por algumas poucas estrelas que ousam aparecer no céu noturno coberto de núvens. Encolhido e afogado em meus devaneios solitários, sinto apenas a ponta do meu nariz, muito gelada.

O escuro e o frio da noite caem como um bálsamo anestésico em minhas dores. E aos poucos, tenho sono...
E frio...

E a terra úmida, coberta por uma camada grossa de folhas secas e gravetos, transforma-se no leito perfeito.... Um canto abafado de coruja... fica suspenso entre o real e o quase imaginário... do sono que vem a seguir....
...
E que o escuro da noite possa me engolir...
...
e me fazer invisível...
aos olhos...
daqueles...
que...

...
Essa vontade de gritar... essa necessidade de dizer tudo o tempo todo...
O que está dentro de mim que não pode ser contido? Por que essa incapacidade de controlar o que explode da minha garganta e escapa dos meus lábios?

Sempre, sempre senti que meus objetivos estiveram muito mais longe de minhas mãos do que eu poderia alcançá-los. Não vejo os outros tão distante de seus desejos. Parece que é algo meu. Parece que é um destino meu. Parece que é uma fatalidade minha.
Irremediável.

Vejo meus Deuses me ajudando todos os dias a chegar mais longe... mas coitados... o que bloqueia o caminho sou eu mesmo. Auto-sabotagem.

Quando vou me livrar de mim mesmo? Vejo o tempo se esvaindo pelos meus dedos fracos, meu corpo se transformando e a conquista ainda bastante longe. O conto de amor pagão que tinha me colocado nesse caminho, está se apagando. A realidade bruta, áspera, afiada e mortal está se impondo terminantemente contra meus sonhos.

Aliás, faz tempo que não sonho.

Não vejo luz ha bastante tempo. Não sei mais como manobrar a mim mesmo pelos caminhos que vou seguindo. Vivo aos trancos e empurrões. E... droga, parece que é só comigo.
Talvez o problema seja os meus olhos. Talvez eu veja o mundo do jeito que ele não é.
Mas como desencantar meus olhos? Como desencantar meu ouvidos?
E além, como desencantar tudo aquilo pelo que eu já passei? Como tirar da memória as imagens que foram registradas por esses olhos quebrados?

Deuses, por favor.
Tirem da minha frente essa neblina que me impede de enxergar.
E coloquem essa neblina, no meu coração.