quinta-feira, 17 de março de 2011

Estava sentado sob a copa de uma árvore, quando ja era noite. O céu estava nublado, depois de um dia muito quente. A única luz que possuia vinha da lamparina precária que ainda carregava, mesmo depois de tudo o que passara durante o caminho.

O vento soprou frio, com gotas refrescantes de água. Esse mesmo vento o chamou para o campo aberto, onde era mais intenso e expressivo. O vento sussurrou alguma coisa em seus ouvidos.

De repente, como num instante de compreensão profunda, se encheu de amor por todas as coisas vivas. De repente e inexplicavelmente. O que foi que o vento disse? Que feitiço foi lançado?
Provavelmente, nenhum.

Ouviu desatentamente o que o vento continuava a dizer e sentia, prazerozamente, a umidade que vinha da chuva próxima. Não precisava se esforçar muito para entender aquelas palavras. Ele sabia o que era.

Começou então, a chover bastante.
Seu peito se enchia de amor, de compaixão, e de uma compreensão quase transcendental do mundo. Sentia todas as coisas, conhecia todas as coisas. Até mesmo o desconhecido tinha o seu espaço, obscuro e desafiador. Sentiu-se parte de tudo. Sentiu um carinho profundo por todas as coisas vivas, porque compartilhavam vida.

Vida. Algo tão maravilhoso e tão raro. Pensou em todos os espaços vazios do universo... em todas as distâncias incalculáveis entre as estrelas e em como a vida, tão abundante na terra, errava por um canto inóspito do universo.

Sentiu-se parte do extraodinário. Sentiu-se Deus e mergulhou em seus Deuses. Lembrou-se do porque escolhera partir. Lembrou-se do porque estava ali. Lembrou-se daquele amor que buscava. Ganhou, mais uma vez, propósito.

Tinha agora, no meio da noite, da ventania e da chuva, duas luzes. A da lamparina, e do seu espírito apaixonado.

Um comentário:

  1. OMG OMG Brigid atendeu minhas preces *0*!!! OMG! Estou tão feliz por vc biel ç_ç A chuva, as árvores, o vento e a lamparina =) portais mágicos para alcançar seu espírito

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