domingo, 27 de março de 2011


É sempre assim. Pelo menos, até hoje tem sido exatamente a mesma coisa.
Iludir-se com brilhos e luzes, achar que finalmente encontrou algo valioso.

Entendo que o valioso pode não ser reluzente, nem ter histórias fantásticas...
mas ainda assim, sofro com a ilusão. Faz parte da minha natureza, e é muito difícil transformar isso.

E a dor não é por não ter encontrado. A dor é por saber que ainda vai demorar.


terça-feira, 22 de março de 2011


O caminho não é fácil. Muito menos quando alguns espíritos livres resolvem brincar de "puxa-empurra" com meus sentimentos. Mas tudo bem, chega a ser engraçado... as vezes.

segunda-feira, 21 de março de 2011


Nos ultimos dias, tenho tido a vontade de ir emboora.
O vento forte, tem parecido empurrar minhas costas sempre que sopra.
Por mais que eu tente ficar, não sei se resistirei à força do vento.

E além, não sei se resistirei a mim mesmo.

sábado, 19 de março de 2011


Essa noite, como quase sempre, venta muito. O vento literalmente assobia em meus ouvidos.
E como quase sempre, está nublado.

Passo a noite a tocar minha flauta velha, com espíritos que me seguem.
E sem evitar de me sentir solitário, mais uma vez.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Estava sentado sob a copa de uma árvore, quando ja era noite. O céu estava nublado, depois de um dia muito quente. A única luz que possuia vinha da lamparina precária que ainda carregava, mesmo depois de tudo o que passara durante o caminho.

O vento soprou frio, com gotas refrescantes de água. Esse mesmo vento o chamou para o campo aberto, onde era mais intenso e expressivo. O vento sussurrou alguma coisa em seus ouvidos.

De repente, como num instante de compreensão profunda, se encheu de amor por todas as coisas vivas. De repente e inexplicavelmente. O que foi que o vento disse? Que feitiço foi lançado?
Provavelmente, nenhum.

Ouviu desatentamente o que o vento continuava a dizer e sentia, prazerozamente, a umidade que vinha da chuva próxima. Não precisava se esforçar muito para entender aquelas palavras. Ele sabia o que era.

Começou então, a chover bastante.
Seu peito se enchia de amor, de compaixão, e de uma compreensão quase transcendental do mundo. Sentia todas as coisas, conhecia todas as coisas. Até mesmo o desconhecido tinha o seu espaço, obscuro e desafiador. Sentiu-se parte de tudo. Sentiu um carinho profundo por todas as coisas vivas, porque compartilhavam vida.

Vida. Algo tão maravilhoso e tão raro. Pensou em todos os espaços vazios do universo... em todas as distâncias incalculáveis entre as estrelas e em como a vida, tão abundante na terra, errava por um canto inóspito do universo.

Sentiu-se parte do extraodinário. Sentiu-se Deus e mergulhou em seus Deuses. Lembrou-se do porque escolhera partir. Lembrou-se do porque estava ali. Lembrou-se daquele amor que buscava. Ganhou, mais uma vez, propósito.

Tinha agora, no meio da noite, da ventania e da chuva, duas luzes. A da lamparina, e do seu espírito apaixonado.

quarta-feira, 9 de março de 2011


Uma vez, uma poça d'água me disse que a profundidade das coisas é só uma questão de ponto de vista.

Na noite anterior, deitado sobre a grama, foi dormir cansado. Estava com o peito pesado e as idéias confusas.
De manhã, acordou de um sonho qualquer, com o céu muito nublado e o dia frio. A princípio, não quis se levantar. Continuou ali, deitado onde estava. Encarava o céu, inexpressivo. Continuou com a mesma linha de raciocínio que suspendera na noite anterior ao se entregar ao sono.

Esticou uma das mãos para sentir a terra e a grama molhadas pelo orvalho... Suspirou.
Sentia toda a chuva que estava quase para cair... comparou-a com lágrimas que ameaçavam a cair de seus olhos e nunca caiam. Seus olhos estavam assim.... sempre nublados. Queria, mas não conseguia. Desejava. Desde que saiu da segurança e do calor de sua casa... há tantos anos... desejava. E ainda antes, desejava.

Cheguei tão longe... - disse - e ainda assim... continuo o mesmo... com o mesmo desejo.
O peito doeu. Fechou os olhos com força e mordeu o lábio inferior.
Baixo, e com a voz quase se quebrando, sussurrou: a chuva não cai... nunca...
... talvez fosse melhor assim.
Relaxou o rosto e ainda de olhos fechados pensou no que poderia ter sido, no que foi e em quem era.
- Porquê não eu?...
O vento varreu as folhas secas das árvores próximas e calou seus pensamentos.
Abriu os olhos.
Pôs-se de pé, arrumou seus pertences e voltou a caminhar, resignado de si mesmo.

sexta-feira, 4 de março de 2011


Tenho estado realmente muito cansado. Pensei que se destruisse aquela promessa, seria realmente o fim irretornável da minha vida. Por sorte, não foi. Mas tenho que conviver com muitos problemas e um azar muito grande. A promessa que me mantinha vivo, também me mantinha seguro.

Agora, quase completamente mergulhado no mundo, começo a sentir o peso de atitudes que antes não passavam de histórias de terror. Não estou assustado, mas cansado de labor e alerta constante.

Neste exato momento estou em paz. Com o corpo marcado e dolorido, mas em paz. Sinto agora sabores e perfumes diferentes... e o fogo agora é mais brilhante e menos irascível. A noite é certamente mais escura, mas sei que sempre posso contar com a ajuda de bons espíritos prestativos ao meu lado. Os dias nublados não são mais convidativos e os dias de sol, ou são quentes demais, ou são escuros demais.

Os frutos agora são mais tenros. As águas são mais doces... as folhas são mais verdes e os temperos são mais vivos. As rochas são menos afiadas, a terra é menos dura. Mas ainda assim... mesmo que os elementos tenham se transformado, a natureza do meu espírito está instável. Chove irregularmente aqui dentro. Venta muito e o clima perdeu o ritmo que antes seguia.

Os pássaros não cantam mais. Faz tempo que não vejo insetos... e os animais noturnos que vigiavam os meus caminhos desapareceram. Estou muito sozinho.
Mas por enquanto, tenho algumas velas e incensos, um pedaço de pão macio, uma fatia razoável de queijo bem curado e uma garrafa de vinho aconchegante.