sexta-feira, 27 de maio de 2011


Essas doses homeopáticas e recentes de realidade tem me feito um pouco mal.
Ter sido transportado, de repente, daquela terra de dragões e espíritos, para esta terra de disputa e de esfalto foi uma experiência um tanto quanto dificil de lidar.

Mas vejo que por tanto tempo, me concentrei em coisas pontuais e passageiras. Quando não, em coisas tão pessoais, que não ajudam ninguém além de mim.
Eu não consigo compreender completamente o que os outros falam. Vim parar em um lugar que exige de mim uma vida que não tive.
Como corresponder às expectativas de mim mesmo, se nem eu tenho o que é preciso para chegar lá?

Vejo-me diferente. Diferente demais.
Vejo-me deslocado. Sem cor, sem encaixe.
Para onde eu vou?
O que fazer?

Quem sou eu, afinal?
O que eu posso e o que eu não posso fazer?
Tenho medo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011


Que pena...

Florestas queimadas...
Rios transbordados...
Montanhas rachadas...
Desfiladeiros soterrados...
Planícies divididas...
Mares enegrecidos...
Céus enfumaçados...
Templos derrubados...
Estradas desviadas...
Mistérios perdidos...
Árvores mortas...
Animais mortos...
Espíritos sem rumo...
Segredos revelados...

E deitado sobre os escombros, continuo a fitar as estrelas que aparecem uma a uma... no céu claro do inverno que se aproxima.
Não consigo deixar de pensar que talvez tenha sido um erro...

Mas está feito. O mundo está destruído, em pedaços... completamente descaracterizado. O futuro não está mais esboçado nas montanhas que se estendiam no firmamento. Foi engolido pela noite.
Os sonhos não estão mais escritos nas estrelas... Com o choque, até mesmo elas mudaram de lugar.
E a explosão foi tão grande... tão extensa... que ultrapassou os limites do universo em que começou; os destroços cairam sobre as costas de outras pessoas, que habitam outros mundos.

Meu egoísmo custou a paz de outros. Pensei que colocando tudo a perder eu ficaria mais forte... mas a destruição só serviu para desvelar uma única coisa: minha fraqueza incorrigível.

sábado, 21 de maio de 2011

Em questão de algumas poucas horas, ajeitei todos os explosivos de forma aleatória e sem nenhum capricho. Fiz uma cena, um drama e uma cara triste.

Quando faltava pouco para meia noite, meu mundo veio a baixo.

terça-feira, 3 de maio de 2011


Estou absolutamente irritado. Meu peito está pequeno para toda a raiva que tenta sair e mal consegue escapar pela boca.

Vários planos estão travados, emperrados, truncados, estagnados e sem movimento nenhum.
Outros estão tão enrolados, que mal pode-se vê-los através dos emaranhados sem ponta.
Que raiva de mim mesmo. Que raiva dos outros.

Não consigo ter força para levantar o peso das coisas que deixei acumular. Tudo culpa minha. Odeio minha indolência incurável. Defeito de mim mesmo, repugnante.
Sem eficiência nenhuma.

Por onde começar? E precisar de ajuda? É o que me mata. Precisar dos outros nunca foi o meu forte. E me ver PRECISANDO dos outros me esfacela completamente o orgulho e a vontade. Ainda mais quando os outros se apresentam sem vontade, ou chafurdando na arrogância.
Me mata. É como me enforcar em arame farpado.

O sono me consome e a falta de energia fica maior. Tentar sem resultado é pior do que não tentar, simplesmente. Fico cansado, improdutivo, infértil, irritadiço;
Que raiva de mim mesmo. Que raiva dos outros.

E cada segundo sem solução, é uma eternidade de auto-penitência.