
Eu lembro da época que pensava que estava tudo bem, que tudo daria certo. Eu acreditava que existia algo me esperando. Mas não há. E eu me fechei tanto... de tal jeito, que eu não consigo mais sair. Eu me afoguei, espontaneamente, dentro de mim mesmo.
Eu acreditava que isolar aquelas idéias no fundo da minha essência fosse facilitar as coisas pra mim. "Algum dia, talvez, eu precise eliminá-las, mas até lá está tudo bem." pensei. Como eu estava enganado! Enterrá-las dentro do meu espírito fez com que meu espírito se alimentasse delas, e agora, sou a imagem do que tentei apagar. Estão tão profundas e tão enraizadas que se algum dia houver a necessidade de arrancá-lás, eu certamente irei me despedaçar, irreparavelmente.
Passou o ponto em que palavras poderiam destilar os compostos da minha mente. Agora, a própria mente se tornou o composto. Para separá-los, é necessário haver o sacrifício da parte mais fraca: eu.
Não há como fugir. Não há como evitar. Por fim, eu esgotei completamente as possibilidades de enfrentar. Por amor eu me sacrifiquei e meu corpo frio e quase morto espera, entre suspiros e espasmos.
Todas as saídas que consigo imaginar envolvem um sofrimento indizível de muitas partes e a minha. Tudo está permeado de dor. Tudo está encarcerado por dor.
E até mesmo aquelas pessoas que conseguem enxergar através de mim, tem receio do que me tornei. Há medo, há insegurança. No mais, eu não passo de algo difícil de se lidar. E isso dói em mim, por causar tanto... receio.
O que não é mentira, é fraco. O que é forte, é mero fruto do orgulho e algo que restou do medo e da agonia. Não posso encarar ninguém. Não tenho moral limpa para argumentar. Tudo em mim parece corrompido; pareço corromper também tudo o que toco e tudo o que se aproxima. Nada é natural. Tudo fica denso, estranho... esquisito. E é tudo esquisito.
Dói demais, sentir meus pulmões perdendo a atividade por toda essa densidade que me rodeia. Não poder respirar... é realmente... dolorido. E se sentir sozinho é... horrível.